Duas lojas de roupas femininas em "tamanho grandes" anunciam no jornal aos domingos: uma se chama Spampy, a outra Paminy. Concluo que há algo no som "pam" q transmite a ideia de 'mulher grande'. Sem desfazer das muitas Pams jovens e esguias q conheço ( mil perdões, gurias! Não resisti a postar essa constatação!).
Existe, sim, um poder no som das sílabas, ou dos grupos de consoantes. Outro dia, no Shopping Eldorado, procurando a Traxart -- que tem os melhores patins no Brasi -- percebi que muitas marcas ligadas a esporte, movimento, juvrntude, fun de um modo geral, têm nomes que começam com "tr". Track and Field, que é brasileira, apesar de hoje ter loja nos EUA; Trilha Mix; Trend's. Lembrei ainda da Tryon e da Triton. Certamente o som "tr" faz pensar em dinâmica, em agitação.
(sobre "Pam": lembrei q minha mãe chamava de "pampã" aquilo a que todos chamam "bunda" no Brasil. "Olha q moça pampanzuda", dizia, ao ver alguma mulher de formas... calipígias.)
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Clichês, lugares-comuns, o Guroogle e a Matemática
Há clichês e clichês, diria o conselheiro Acácio. Ontem me debati com 'de puro prazer'. Consultei o Guroogle: "885.000", ele sussurrou, em 0,30 segundos.
Não consegui outro jeito de dizer aquilo, a não ser, talvez, "por puro prazer". Um clichê que significa exatamente aquilo q as palavras dizem é bem diferente(1) de coisas como "calor senegalesco", "sol inclemente", "fila quilométrica" e outros que usam alguma figura de linguagem -- que certamente foram muito originais e adequados ao ser criados por algum gênio das palavras (2).
Enfim: já q é impossível evitá-los, pelo menos vamos preferir os mais raros. E inventar alguns.
(Pensei que tivesse inventado a palavra "Guroogle": consultei-o. Há 77.
Desses, só 7 estão em sites em português: tá ótimo.! "Praticamente zero", suspiraria o conselheiro Acácio. (3)
Para ilustrar: 77 é 0,0087005649717514124293785310734463 por cento de 885.000. Pouco mais de 0,0087%!
E 7 é menos de 10% disso. Tá de bom tamanho.)
1 - 8.110.000 referências no Google para "é bem diferente"
2 - 8.710 gênios das palavras....
3 - há 347.000 "praticamente zero"
4 - 3.040.000 "tá de bom tamanho"
Não consegui outro jeito de dizer aquilo, a não ser, talvez, "por puro prazer". Um clichê que significa exatamente aquilo q as palavras dizem é bem diferente(1) de coisas como "calor senegalesco", "sol inclemente", "fila quilométrica" e outros que usam alguma figura de linguagem -- que certamente foram muito originais e adequados ao ser criados por algum gênio das palavras (2).
Enfim: já q é impossível evitá-los, pelo menos vamos preferir os mais raros. E inventar alguns.
(Pensei que tivesse inventado a palavra "Guroogle": consultei-o. Há 77.
Desses, só 7 estão em sites em português: tá ótimo.! "Praticamente zero", suspiraria o conselheiro Acácio. (3)
Para ilustrar: 77 é 0,0087005649717514124293785310734463 por cento de 885.000. Pouco mais de 0,0087%!
E 7 é menos de 10% disso. Tá de bom tamanho.)
1 - 8.110.000 referências no Google para "é bem diferente"
2 - 8.710 gênios das palavras....
3 - há 347.000 "praticamente zero"
4 - 3.040.000 "tá de bom tamanho"
sexta-feira, 15 de abril de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Quando é correto o uso de "ir+estar+gerúndio"
Caímos num mundo que parece considerar errado o uso de gerúndio, sempre, em qualquer situação. Qualquer dia desses, em vez de "estou almoçando", diremos "estou a almoçar"....
Começou com as secretárias que dizem “vou estar agendando uma reunião para o senhor”, dos atendentes de call-center que, ao transferir uma ligação, dizem “vamos estar transferindo”. Talvez tudo se tenha originado de traduções do inglês: “He’ll be calling you presently” (arrá! Vale a pena debater também esta palavra: presently, que não significa “presentemente”). Daí a coisa se difundiu, ok, principalmente entre quem tem menos instrução e achou bonito esse jeito importante de declarar o que se vai fazer (ou o que se "vai estar fazendo").
Aí, as empresas passssaram a contratar professores de Comunicação para treinar seus funcionários, o que os levou à atitude oposta: para não errar, passam a jamais usar gerúndio, mesmo quando seria o ideal!
Algumas pessoas um pouco menos escaldadas declaram que usar gerúndio só não é correto junto com “vou estar”, “iremos estar” e outras conjugações do verbo “ir + estar”. Só que, até mesmo nessas situações, pode ser correto, sim, usar a escorregadia construção.
De vez em quando a gente topa com um bom exemplo. No Estadão de sábado passado (12/3/2011), na coluna C2+m/Ouvido Absoluto, em matéria assinada por Lucio Ribeiro &¨Indie (que bom encontrar Lucio escrito sem acento, contrariamente às recomendações de muitos manuais de redação!) sobre a banda Vaccines, encontra-se a frase: “Daqui a algumas horas, mais precisamente na segunda-feira de manhã, as lojas de discos do Reino Unido vão estar começando a vender o álbum”. Perfeito! É assim mesmo que se deve dizer. E, claro, escrever.
Por que neste caso “ir+ estar + gerúndio” é correto e noutros não? Simplesmente, porque isto se refere a uma ação que acontecerá em um momento preciso no futuro. É pra isso que serve o gerúndio: para indicar uma ação em andamento, o que só pode ocorrer num instante definido. “Agora estou jantando com um amigo”, ou “amanhã a esta hora vou estar jantando com ele”. Mas não “todos os dias vou estar jantando com ele”. Aí, tem que ser mesmo “Vou jantar com ele todos os dias”.
Começou com as secretárias que dizem “vou estar agendando uma reunião para o senhor”, dos atendentes de call-center que, ao transferir uma ligação, dizem “vamos estar transferindo”. Talvez tudo se tenha originado de traduções do inglês: “He’ll be calling you presently” (arrá! Vale a pena debater também esta palavra: presently, que não significa “presentemente”). Daí a coisa se difundiu, ok, principalmente entre quem tem menos instrução e achou bonito esse jeito importante de declarar o que se vai fazer (ou o que se "vai estar fazendo").
Aí, as empresas passssaram a contratar professores de Comunicação para treinar seus funcionários, o que os levou à atitude oposta: para não errar, passam a jamais usar gerúndio, mesmo quando seria o ideal!
Algumas pessoas um pouco menos escaldadas declaram que usar gerúndio só não é correto junto com “vou estar”, “iremos estar” e outras conjugações do verbo “ir + estar”. Só que, até mesmo nessas situações, pode ser correto, sim, usar a escorregadia construção.
De vez em quando a gente topa com um bom exemplo. No Estadão de sábado passado (12/3/2011), na coluna C2+m/Ouvido Absoluto, em matéria assinada por Lucio Ribeiro &¨Indie (que bom encontrar Lucio escrito sem acento, contrariamente às recomendações de muitos manuais de redação!) sobre a banda Vaccines, encontra-se a frase: “Daqui a algumas horas, mais precisamente na segunda-feira de manhã, as lojas de discos do Reino Unido vão estar começando a vender o álbum”. Perfeito! É assim mesmo que se deve dizer. E, claro, escrever.
Por que neste caso “ir+ estar + gerúndio” é correto e noutros não? Simplesmente, porque isto se refere a uma ação que acontecerá em um momento preciso no futuro. É pra isso que serve o gerúndio: para indicar uma ação em andamento, o que só pode ocorrer num instante definido. “Agora estou jantando com um amigo”, ou “amanhã a esta hora vou estar jantando com ele”. Mas não “todos os dias vou estar jantando com ele”. Aí, tem que ser mesmo “Vou jantar com ele todos os dias”.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Resgate
Esta cidade que pertence aos carros,
será possível amá-la ainda, amá-la
como quem ama a um filho que se desviou,
a uma querida irmã extraviada?
Minha cidade mãe desnorteada,
que parece ter perdido o seu sudeste:
que pólo magnético é este,
que a faz tão atraente
para tanta gente?
Minha querida desorientada!
Minha cidade norte e oriente,
que bandeirantes tão intimidados
não te reconquistamos,
não tomamos posse,
não vimos desbravar-te?
Minha cidade enchente;
vêm de toda parte
os que te entopem as veias,
que te invadem
sem te amar;
os que te bebem,
te devoram,
que destroem tua arte,
os que te exaurem, jurando
não poder suportar-te
nem mais um dia: precisam
fugir de ti, minha amada.
E vão-se, os bárbaros, a cada
pequena oportunidade.
Escoam-se pelas estradas,
estrangulam-nas,
mas temporariamente partem,
os não-amantes da cidade.
É quando quem te ama,
teus filhos e imigrantes,
pode reencontrar-te
como antes:
tuas lânguidas ruas,
teus bosques suaves,
teus prédios antigos,
tua maravilhosa nova arquitetura.
E assim te sei, Cidade,
ainda a mãe mais pura
apesar de tudo que te invade
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Diálogo com marido indo pro trabalho
— Tchau.
— Tchau. Cuida do meu homem.
— Eu não! Vou ficar cuidando de homem?
— Mas é meu!
— E daí? Problema seu. Cuida você.
— Ah, cuida, vá. Por solidariedade.
— Tá bom.... tá bom! Tudo eu!
— Tchau. Cuida do meu homem.
— Eu não! Vou ficar cuidando de homem?
— Mas é meu!
— E daí? Problema seu. Cuida você.
— Ah, cuida, vá. Por solidariedade.
— Tá bom.... tá bom! Tudo eu!
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